Introdução:
O
Objetivo de Paulo ao escrever para a igreja em Corinto era fazer ela
compreender que maturidade espiritual não é medida por conhecimento, posição ou
preferência por líderes, mas por uma vida transformada pelo Espírito Santo,
marcada por unidade, humildade e centralidade em Cristo.
A
igreja de Corinto possuía muitos dons, conhecimento e manifestações
espirituais. Paulo reconhece isso em 1 Co.1.5-7:
Entretanto,
havia um problema sério: uma igreja rica em dons, mas pobre em maturidade.
Corinto
era uma cidade importante do mundo greco-romano localizada em uma posição
estratégica para o comércio. Era conhecida por sua riqueza, diversidade
cultural, influência filosófica e forte competição social. Nesse ambiente,
havia grande valorização da retórica, da eloquência e da identificação com
determinados mestres.
Isso
entrou dentro da igreja.
Uns
diziam: “Eu sou de Paulo”; outros: “Eu sou de Apolo” (1Co 3.4).
Paulo
mostra que o problema não era simplesmente gostar de Paulo ou de Apolo. O
problema era transformar servos de Deus em motivo de divisão. A grande
pergunta do texto é:
Como
uma igreja que recebeu tanto de Deus pode continuar vivendo como criança?
1.
A IMATURIDADE ESPIRITUAL É REVELADA PELO COMPORTAMENTO 1 Co.3.1-3
“E
eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a
meninos em Cristo.”
Paulo
não está dizendo que os coríntios não eram convertidos. Ele os chama de “irmãos”
e de “meninos em Cristo”.
O
problema era a falta de crescimento.
1.1.
Eles estavam em Cristo, mas ainda eram crianças
Paulo
afirma:
“como
a meninos em Cristo” (v.1).
Existe
uma diferença entre ser criança espiritualmente e permanecer criança
espiritualmente.
Todo
novo convertido começa sua caminhada como bebê espiritual.
Pedro
diz:
“Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não
falsificado, para que, por ele, vades crescendo.”1 Pe.2.2. O problema
não é começar pequeno.
O
problema é não crescer. Hb.5.12 repreende aqueles que, pelo tempo de
caminhada, já deveriam ser mestres, mas ainda precisavam aprender os
fundamentos.
a)
É
possível frequentar a igreja durante muitos anos e continuar espiritualmente
imaturo.
b) É possível
conhecer muitos versículos e ainda não saber controlar a língua.
c)
É
possível conhecer doutrina e continuar alimentando ressentimentos.
d) É possível
cantar sobre amor e permanecer dividido.
e)
É
possível falar sobre Espírito Santo e viver dominado pela carne.
f)
Maturidade
espiritual não é simplesmente saber mais; é viver melhor aquilo que sabemos.
2.
A IMATURIDADE ESPIRITUAL PRODUZ CIÚMES E CONTENDAS 1 CO.3.3
Paulo
apresenta três sinais:
- inveja
- contenda
- divisão
Esses
problemas revelavam que a igreja estava sendo governada pelos padrões humanos.
Na
sociedade greco-romana havia forte competição por honra, prestígio,
influência e reconhecimento.
Os
coríntios estavam trazendo essa mentalidade para dentro da igreja.
Eles
estavam tratando Paulo e Apolo como se fossem líderes de escolas filosóficas
concorrentes.
“Eu
sou de Paulo.”
“Eu
sou de Apolo.”
A
igreja começou a funcionar segundo a lógica da sociedade ao redor.
Isso
continua acontecendo hoje. As vezes:
“Eu
sou do pastor fulano.”
“Eu
aprendi com o pregador fulano.”
“Minha
igreja é melhor.”
“Meu
ministério é maior.”
“Meu
grupo é mais espiritual.”
Quando
Cristo deixa de ser o centro, preferências pessoais tornam-se motivos de
divisão.
Paulo
já havia declarado:
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é
Jesus Cristo.” 1 Co.3.11, não importa se o pregador é meu favorito. O que
importa é:
“Cristo
está sendo glorificado?”
Não
devemos transformar ministros em celebridades espirituais.
Jesus
é o Senhor.
João
Batista compreendeu isso Jo.3.30
3.
A MATURIDADE RECONHECE QUE OS LÍDERES SÃO SERVOS
1
CO.3.4-5
“Pois
quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes...?”
A
palavra usada por Paulo aponta para serviço.
Paulo
e Apolo não eram donos da igreja.
Eram
servos da igreja de Cristo.
Isso
é fundamental.
3.1.
O líder não substitui Cristo
Paulo
não diz: “Paulo salvou vocês.” Ele diz: “pelos quais crestes”.
O
instrumento não deve receber a glória que pertence ao Senhor.
Paulo
era instrumento. O instrumento por si só não é usado
Apolo
era instrumento.
Cristo
é o Senhor da obra.
2
Co.4.5 “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor.”
Todo
pastor, pregador, professor, dirigente ou obreiro precisa compreender:
A
igreja não é minha. A igreja pertence a Cristo.
Jesus
disse: “Edificarei a minha igreja.” Mt.16.18
Portanto,
o ministro não deve trabalhar para construir seu próprio nome. Deve trabalhar
para construir o Reino de Deus.
4.
DEUS USA DIFERENTES SERVOS NA MESMA OBRA 1 CO.3.6
“Eu
plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.”
Aqui
Paulo utiliza uma metáfora agrícola, muito compreensível para seus
ouvintes.
No
mundo antigo, a agricultura fazia parte da vida cotidiana. Plantar e regar eram
tarefas diferentes, mas ambas eram necessárias.
Paulo
está dizendo:
Eu fiz uma parte. Apolo fez outra. Mas quem produziu a vida foi Deus.
4.1.
Cada trabalhador possui uma função
Paulo
plantou.
Apolo
regou.
Deus
deu o crescimento.
Isso
elimina o orgulho ministerial.
Imagine
um agricultor dizendo:
“Eu
sou mais importante porque plantei.”
Outro
dizendo:
“Eu
sou mais importante porque reguei.”
Ambos
esquecem que nenhum deles pode produzir a vida da planta.
Na
igreja:
- alguém
evangeliza; outro discipula; outro ensina; outra visita; outro aconselha; outro
ora; outro contribui; outro lidera; outro cuida dos necessitados.
Mas
quem transforma vidas é Deus.
“Se
o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” Sl.127.1
Portanto: Faça a sua
parte, mas dê a Deus a glória pelo resultado.
5.
A MATURIDADE ESPIRITUAL RECONHECE QUE SOMOS COOPERADORES 1 CO.3.7-9
“Pelo
que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o
crescimento.”
Não
significa que o trabalhador não tenha valor.
Significa
que o trabalhador não é a fonte do crescimento.
Paulo
continua:
“Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão
segundo o seu trabalho.” (v.8)
Aqui
existe um equilíbrio:
Somos dependentes de Deus.
Mas
também somos responsáveis pelo trabalho.
Não
podemos dizer:
“Deus fará tudo, então não preciso trabalhar.”
Nem
podemos dizer:
“Tudo depende de mim.”
Trabalhamos
fielmente e dependemos totalmente de Deus.
“Operai
a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o
querer como o efetuar.” Fp.2.12,13
6.
A IGREJA É LAVOURA DE DEUS E EDIFÍCIO DE DEUS 1 CO.3.9
“Porque
nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.” Paulo
apresenta duas imagens.
6.1.
Lavoura de Deus
A
igreja é uma plantação. Uma lavoura precisa:
- ser
cultivada;
- receber
cuidado;
- ser
protegida;
- receber
alimento;
- produzir
frutos.
Jesus
ensinou sobre fruto em João 15.5:
“Quem
está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto.”
“Não
é importante ser frequentador de igreja”, mas “Estou produzindo
fruto?” Gl5.22-23 apresenta o fruto do Espírito: “amor, gozo, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.”
6.2.
Edifício de Deus
A
igreja também é apresentada como construção.
Isso
significa que existe um processo de edificação.1Pe.2.5
Deus
está construindo uma comunidade espiritual.
Por
isso, ninguém deveria estar preocupado apenas com sua própria posição.
6.3
Precisamos abandonar a competição espiritual
A
igreja não é uma arena onde precisamos provar quem é maior.
Jesus
ensinou:
“Qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo.” Mt. 20.27
6.4.
Precisamos crescer espiritualmente Ef. 4.13:
“Até
que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão
perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.”
A
meta da vida cristã não é simplesmente permanecer convertido.
É
crescer até parecermos com Cristo.
6.5.
Precisamos controlar aquilo que causa divisão
Pv.6.19
fala daquele que, “semeia contendas entre irmãos.”
Uma
pessoa madura não espalha aquilo que destrói a comunhão.
Antes
de falar, devemos perguntar: Isso edifica? Ef.4.29
6.6.
Precisamos valorizar todos os trabalhadores
1
Coríntios 12.12 mostra que o corpo possui muitos membros.
Nem
todos possuem a mesma função. Mas todos são importantes.
Não
despreze quem trabalha silenciosamente.
A
pessoa que ora no quarto pode estar sustentando espiritualmente uma obra que
todos estão vendo.
Conclusão:
1
Coríntios 3.1-9 nos apresenta uma igreja que tinha conhecimento, dons e
ministérios, mas precisava crescer em maturidade.
A
imaturidade produz inveja.
A
imaturidade produz contendas.
A
imaturidade produz divisão.
Mas
a maturidade espiritual produz: humildade, unidade, serviço,
cooperação e fruto.